8.5.17

Eu que pensava que não ia amar mais ninguém nessa vida como já amei
aprendi que é isso mesmo
Eu que pensava que não ia sorrir como já sorri por aí
aprendi que não vou mesmo
Porque esse mundo é assolado de jeito novo de rir e ver e amar
(e eu não descobri sozinha)
(e se tudo deu certo, você descobriu também)
E aqui, de longe, olhando você na minha cama e esperando que o tempo não passe
e a que a gente não perceba ele passar
eu só penso como eu posso te amar assim
como nunca amei
como nem vou amar

4.4.17

Desistir é uma covardia corajosa.
Em determinado momento, apenas se despe de tudo que te rodeia e risca a pele. Afunda.
Boiar no fundo do mar sem encostar na areia.
Ver os pássaros voando depois da água. Ver os peixes caçando bem frente aos seus olhos.
Sentir as estrelas se aninhando em seus cabelos.
E não sentir.
Saber dos animais porque leu que ali habitavam, mas não por vê-los.
Não saber diferenciar o que é real e o que é imaginário.
Ouvir todos os sons na surdez da água no ouvido.
Tudo é distância e névoa. Turbidez.
É palavra de ordem: exigência. Levanta desse teu marasmo e sobe à terra que é preciso andar.
Teu sangue vai talhar.
Tua vida já parou.
Teus olhos já estão cheios de água.
já acabou, menino.
me deixa em paz no meu mar.
sem velejar, eu me acovardo
mas também me encorajo
e finalmente encontrando um sentido
acabo com o vão entre as costas e a imensidão
da areia do fundo da alma.

19.2.17

tudo o que há de brilho nesse mundo
luzes, estrelas, olhos,
energia dentro de mim
pro que cultuo
Tudo que que ecoa nesse universo
outras vozes, que seja
de falas que somam, de boas notícias
te rimam em verso na tua própria voz
eu ouço e peço que seja mais alto
que eu ecoe no espaço
que inunde esse porto
que me tome o corpo feito maré
que me leve até onde der
que minha alma toque a sua do avesso
no meu quarto, travesseiro, essas seis paredes
essas que rimam em segredo
que te falam entre parênteses
que te amam
e te apreciam
como quadro vivo
de quem pinta e já não vive tanto assim
mas meio morto
conseguiu atingir
e feito flecha envenena
até que parte e me deixa
aqui no meio do caminho
escrevendo poema
(só pra você rir quando acordar)

4.2.17

Te universo
Mas não rimo em um verso só
Rimo em Dias
Te vejo melhor com o passar dos sóis
Te rimo
Pra ser em poema ilusão tua
E me acolho
Na tua mão toda lua que passa
Não me guarda
Que eu vou como o rio
Como o mar
Eu também viro navio
E te navego
Pra te beijar em toda onda
Traga ela o que amar
Corais, peixe e poesia
E então eu me torno
Na tua pele, maresia.

30.1.17

considerações finais

Vira e volta e mexe e traz e me vem você na cabeça com questionamento em caixa alta: será que valeu a pena que te escrevo agora? Será que esse mar de lágrima todo que me escorreu, escorreu só por escorrer ou te chegou como rio? Será que o grito ecoou e ecoou só no espaço sideral inteiro ou você me ouviu nesse planeta pequeno que você vive? Será que você tentou me responder só por um segundinho em um bilhetinho pequeno em uma garrafinha pequena de pitchula e jogou no espaço pra voltar e agora ela só roda e roda e roda e roda e roda e eu espero espero espero espero?
Aí eu viro e volto e mexo e trago as respostas que já tenho anotadas todas em meu caderninho pra todas essas pequenas perguntas que parecem enormes quando estão em caixa alta: não, minha linda. Vai e vira e mexe embora que a vida não te deu poder de ser respondida nessa relação. Mas não te entristece. Pergunta sem ar assim é o que não falta no mundo.

24.1.17

Que eu me escondo dos meus problemas, fujo das soluções e empurro a vida de cabeça baixa, não é novidade. Antes era fácil: olhava pro outro pra parar de entender a mim. Parei, assim como parei no tempo e agora que resolvi olhar pro céu infinito e suas nuvens infinitas, voltei puro atraso. Esse trato novo de que ando ao lado e não carregando é uma maneira muito da sua estranha de levar. Quem que pode (se) amar sem doer?


10.1.17

Hoje a carne é fresca, recém abatida
pulsa na mão, muito mais viva que outrora
volta um mês e vê-se a diferença
na cor do sangue que escorre entre as bochechas
no coração que bate rápido e arqueja mansinho
no ouvido
como quem nada tem a dizer, e ainda assim
quer gritar tudo que te ama
com uma gana de te beijar inteiro
espera que o dia passe, o janeiro passe
pra todo dia apaixonar pelos seus apelos
que me faz apaixonar pelo mundo
e todos seus pequenos espaços
entre você e eu
o céu
o rio
e o que sinto.