Andei pensando sobre esses dias que a felicidade esteve aqui em casa. Tempo bom, todo dia era dia de sol, mesmo chovendo, porque o sol tava dentro da garganta. Até passava pela minha mente os tempos em que ela saíra e me prometera que iria voltar - e não foi que voltou mesmo? -, mas mal conseguia. Agora ela já foi embora e eu já sinto de novo aquela mesma sensação de voltar ao comum, ao enjoo comum de uma escuridão sem fim e de dias olhando pela janela esperando ela pular. Mesmo sabendo de sua existência, quando longe é até difícil acreditar que seja real. E será mesmo a realidade? Talvez tenha sido delírio, um tempo de delírio na tentativa de salvar a alma que fica presa nesse corpo. Será que acordei pra sempre de um outro mundo? Do jeito que ando cansada, não vai ser difícil dormir de novo. E hoje, eu verei a chuva de meteoros esperando pegar um pouquinho dessa beleza pra levar pro meu mundo de novo, e esquecer um tempo do que tá sendo agora.
É difícil sair engolindo essas palavras banhadas em umas ações que não fazem sentido. Perguntei-me um dia se era você, então, semioticista ou falava a mesma língua que eu. Nossos significados eram todos diferentes, nossos desejos eram todos diferentes e nós, talvez. Sou um poço de confusão. Você foi e levou todos meus significados pelo mundo e sobrou a mim.... sobrou?
Não digo nada, espero o vendaval passar - por enquanto eu não sei. O que você me falou me fez rir e pensar que estou tão preocupado por estar tão preocupado assim...
(Eu era um lobisomem juvenil)
1:17:14:52
Começou meu teatro de felicidades: por dentro, deserto. Acabaram-se todas as cidades, estados, países, populações do mundo. Devastação do lado de dentro e de fora. Era entendido o que Cathy dizia a Heathcliff, há uns 100 anos, e cabia perfeitamente aqui como placa de aviso do que tinha acontecido, aos chegados estranhos (e havia alguém que se aventurasse a se aproximar demais?):
"Minhas grandes tristezas neste mundo têm sido as tristezas de Heathcliff, e eu enxerguei e senti cada uma delas desde o início, pois ele é a suprema razão do meu viver. Se tudo o mais perecesse, e só restasse ele, eu continuaria a existir, ao passo que, se tudo permanecesse e ele fosse destruído, todo o universo se transformaria num lugar completamente estranho para mim, de que eu não faria parte."
(Emily Bronte)
"Minhas grandes tristezas neste mundo têm sido as tristezas de Heathcliff, e eu enxerguei e senti cada uma delas desde o início, pois ele é a suprema razão do meu viver. Se tudo o mais perecesse, e só restasse ele, eu continuaria a existir, ao passo que, se tudo permanecesse e ele fosse destruído, todo o universo se transformaria num lugar completamente estranho para mim, de que eu não faria parte."
(Emily Bronte)
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