Reviro os meus olhos e me contorço no colchão. Nada físico. Só o alívio e a agonia, ao mesmo tempo, de te ter aqui comigo. O sol não foi, mas hoje o brilho é diferente: nasci de novo. Em você.

Suspiro, e eu digo em um parêntese:

(Você não notou
mas nossas fotos estão sumindo
nosso amor se esvaindo
e o sangue circulando
em outras veias.
Mas não esqueça de mim.)
Elise, você é tão curta
Que só coube em dois minutos
E alguns cinquenta e cinco segundos
Mas quem dera eu ser você
E conseguisse ser tão curta
Mas ainda assim, tão bela
E cheia de uma magia púrpura
Elise, me diga
Como você se pintou?
Você é tão pura.


Fur Elise.
Eu ando com esses pés que não são meus
E respiro com um peito de aço
Tudo parece tão fácil, pra você
Mas eu sofro
E desloco, deslocada de mim mesma
Sou eu, mas em outro mundo
Eu não estou aqui
Meu corpo fica
Mas minha mente vai embora
Viaja com a dor
E com o tempo, apodrece
Como o corpo que ficou
E hoje é pó
Eu, finito
Acabado, sumido
De mim ficam as mesmas coisas
que você deixou quando foi embora
Sou feito de memória.
Hoje eu não vou estar.

Como uma tecnologia muito avançada, eu silenciei. Esqueci que para ter novas palavras preciso gastar todas as antigas, ou paro. Preciso ler ...