Tão só sou
neste mundo de enormes expectativas
que me falta maestria
na hora de descrever a devasta
e -como se parece- longa
vida de quem não é nada
nem de ninguém.
Sozinho tão só,
tão pequeno e só,
que nem mesmo dó me tem
qualquer um ou eu mesmo
e me perco por todos os becos frios
dentro de mim.
Sou um labirinto hostil
ou um fundo de uma cratera
vazia calma escura e silenciosa
esperando para ver o fim que também me espera.
Você me diz "sonha comigo" e eu sonho só pra te amar mais.
Tua voz me aborda cedo e me rende inocentemente, mas eu sou mesmo culpada por todos os crimes praticados durante a madrugada, em seu corpo (acordada ou não).
E me rendo logo de cara porque sei que será mais facil assim, e mais prazeroso.
Porque eu te amo.
E nenhuma felicidade é real sem te ver ou possuir. Mesmo em sonho.
Eu poderia escrever mais um poema sobre as curvinhas que excedem a lateral dos teus lábios, sobre a covinha tímida que aparece somente quando te convém, sobre as pontas dos teus dedos tocando minhas costas a exatos dois minutos atrás. Eu poderia e preciso. Interrompido este momento da realidade enquanto te observo dormir para parar de te observar dormir, aproveito pra te escrever qualquer coisa que sinto enquanto eu sinto, ou explodirei. Há alguns dias em que minhas emoções não conseguem rota de fuga nenhuma do meu corpo e se amontoam lá dentro. E quando isso acontece, preciso de você dormindo do meu lado para perfurar-me toda e essas saírem - hoje, em prosa. Poderia ser poema, fotografia, pintura. Beijo sempre é. Mas isso é personificação do meu sentimento quando te passo no exato instante, e todas as artes estarão gravadas para posterioridade quando me disseres "não me ama mais!" nessas brincadeiras que transbordam uma insegurança real, e são aplacadas com uma demonstração ínfima do que sinto - como isso que lhe escrevo agora. Eu te amo, por todos os motivos que me apresenta agora enquanto dorme (seus olhos fechados simétricos em contraste com o cabelo bagunçado, a mão inocentemente segurando sua cabeça e todos os sinais do seu corpo inteiro formando uma constelação viva), e por cada outra coisa que me apresenta quando acordado. Como é racional, sensato e como suas emoções (sempre tão controladas) fogem do seu controle enquanto grita e me assusta. Como é tão inteligente e naturalmente bom, como me olha quando diz que me ama e quando diz que me ama do nada, baixo no meu ouvido, depois de tantos beijos. É uma tentativa vã tentar listar ou descrever tudo em ti que me atrai, porque nenhuma lista seria grande o suficiente ou detalhada o suficiente para me explicar. Mas agora tenho que deixá-lo, voltar para minha realidade, moldar-me em seus braços, descansar contigo até o pouco tempo que me resta e depois, ir embora.
Tua toalha no banheiro com o cheiro único da tua pele molhada continua no banheiro porque decidi assim. Já me bastava a falta que fazia você não estando na cama, que ficasse então pela casa inteira qualquer pedaço seu pra me provar que era tudo verdadeiro, nada inventado. E eu mal podia acreditar que qualquer atuação sua podia me incluir, que qualquer pensamento seu podia ter uma sombra que fosse de alguém tão mínima quanto eu. Por isso decidi assim, com tua toalha no banheiro como um bilhete de loteria premiado pra me lembrar que a sorte finalmente bateu em casa e me trouxe o presente mais bonito que poderia existir em uma galáxia inteira de desejos que residiam em mim: você.
(e que coisa mais linda é você.)
(e que coisa mais linda é você.)
Me explica como teus olhos brilham assim e piscam no momento certo. E me explica como teu cheiro tão bom não gruda na minha roupa pra eu te cheirar sozinha. Só o que sobra quando me separo de ti são os fatos cotidianos, o cheiro de cigarro e saudade. E a vontade eterna de querer sempre voltar um segundo atrás pra estar de novo contigo. Mas me explica bem detalhadamente, porque minha cabeça anda cheia de uma letargia típica de apaixonado quando olho pra você: como pode ser tão belo e me deixar acompanhar tua boniteza para todo lugar?
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