Será que você ainda sonha comigo montada no seu elefante? Será que sente as cócegas que eu sinto, quando acorda. Ouve a minha voz quando encontra o silêncio, proferindo o que você não quer ouvir porque machuca e cansa.
Parece que cansar é sentimento recorrente ao passar dos dias. Como enfrentar o vento antes da tempestade numa praia vazia, segurando tudo o que pode pela ponta dos dedos, esperando que a chuva caia e faça você desistir de vez de se mexer. Mas a chuva não vem.
Antes, era dividido: mesmo que não ajudasse, lutava a mesma luta que eu. Quando difícil, bastava olhar e se concentrar bem pra ouvir sua voz e saberia da sua presença no meio do vendaval. A expectativa que você segurasse em mim e desse força me fez duvidar das minhas e fraquejar. Preferi a solidão.
Agora, ainda que ouça sua voz me dizendo o que não quero ouvir, pelo menos me sei só, de fato. Ainda não decidi se o fantasma que corre ao meu redor de tudo o que já desvendamos no meio do temporal é melhor do que a presença. Não sei se consigo esperar a chuva cair, com ou sem você.
Lua,
a vida é uma sucessão de sentimentos e situações estranhas que vão se encaixando e os altos e baixos não são tão altos e baixos assim. Lembro que um dia desses eu sonhei que usava a corda do biquíni pra tentar me enforcar e hoje sonhei com esse mesmo biquíni mas eu só conseguia olhar como a corda dele era trançada e bonita. A lua me dizia que a vida surpreende tanto e magoa tanto e faz tanto a gente rir dela quanto chorar, mas o importante é estar lá pra saber que sentir tudo isso é possível. Ambas as escolhas - de viver ou morrer- possuem uma beleza como o brilho de uma faca afiada, assim como a realidade do sentimento e da corda do biquíni, ambos guardados na gaveta de um armário.
Nothing lasts. It's for the best. I won't stay here. I won't stay there.
Queria sumir sem ninguém saber, sem perceber, como já sumiu pra si mesma.
Você não olha pra trás. Fecha a porta com delicadeza mas uma firmeza já conhecida de quem encerra o assunto no fundo da alma.
Alma que antes podia ver nos seus olhos de poços. Hoje não vejo mais nada do que você sente.
Talvez justamente porque você não sente mais nada quando olha no fundo do meu poço. Eu espero diariamente uma desculpa esfarrapada, um ato autônomo. Uma frase que seja genuína e surja quando ninguém espere, do fundo da sua garganta, direcionado para mim. Atinja o meio da minha testa, seja fogos de artifício, seja uma bazucada: atinja.
Enquanto isso, me esgueiro pela cidade vazia que existe bem dentro de mim depois do caminho de rato. Uma réplica perfeita. Felicidade parece que depende do seu parecer porque foi na ausência do seu parecer que me amarraram essa fita no pé e eu finquei. Programa de ontem que virou de hoje, que virou de amanhã, que virou agora. A caneta é fixa no espaço e quem se mexe abaixo é o caderno, no contorno da palavra. Perspectiva que não era esperada. Quem brilha: apaga; quem escreve, não o faz.
Dou risada do que já disse: Eu mesma que já chorei todo esse rio não vou escorregar mais rápido em direção ao mar?
Mal sabia da imensidão do mar. Da solidão.
Olha o tanto de peixe inalcançável. Reclamava com a boca cheia. Fosse lama, às vezes, ainda se fazia cheia.
Perdoa os atos falhos. Falho foi tanto de todas as partes. Não olha mesmo. Fecha a porta. Sua firmeza é certa, errado é meu olho cerrado por água salgada e peixe desconhecido: e eu, que nem sou daqui, querendo animal de água doce.
Água salgada arde demais na ferida que eu abri pra você sair. Pra tirar você.
Então, once your dreams come knocking at your door it's time to realize you aren't dreaming anymore. And once your life set to settle down take a look around you, no more dreaming to be found. So why then are you crying? It was you who denied them and no amount of tears could roll back all the years bring back all your dreams from yesterday.
Como uma tecnologia muito avançada, eu silenciei. Esqueci que para ter novas palavras preciso gastar todas as antigas, ou paro. Preciso ler ...
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