Não era pra ser eu, mas foi eu muito tempo.
Dói no orgulho da gente. Você sabia que não era e também escondeu de mim. Inclusive eu mesma escondi de mim e talvez soubesse já fazia um tempão (desde que não conseguia fazer seus olhos queimarem do jeito que deveriam), mas eu queria ser. Queria que fosse eu toda, do avesso.
Mas não era.
Dói no orgulho da gente porque fica todo aquele esforço flutuando no espaço. Não foi vão, é claro, nada é vão, mas não era eu. Eu que tanto me despedacei e me colei, eu que tanto respirava enquanto afogava, que me agarrei nos seus cabelos e detalhes e simetria perfeita, eu que hoje (especialmente hoje) não sei nem o que é respirar direitinho: era eu me esforçando pra não ser.
Não faz assim. Avisa quando não for.
As pessoas amam te ouvir. Não finge que não existe.
Eu amei te ouvir, tanto.
Mas não era pra mim que era pra você falar. Tanto que nem falou.
Nem antes. Nem no meio. Nem muito depois.
Fechei meus olhos enquanto te beijava porque não queria contaminar sua tristeza com a minha.
Mas os seus olhos...
Peço perdão por todas as invasões cometidas até agora. Sempre foi falta de respeito e responsabilidade, mas sabemos que se eu possuísse o freio, cordas e amarras que você possui, eu nunca veria os olhos pegando fogo e a cova rasa (onde eu poderia ser enterrada viva) que aparece ao lado da sua boca quando ri. E isso é importante: eu quero. Peço perdão dessa vez pela ousadia, porque sinto muito que eu invada, mas invado mesmo assim. Talvez eu continue só pra ver onde esse caminho vai me levar. Admitamos que é um caminho solitário, unilateral, quase uma tortura. Você amarrado e eu rindo ao seu redor. Você ri de mim e morre um pouco.
Isso é o que me dói. Não posso ser seu motivo de felicidade. Você precisa das amarras, você precisa desse peso que amarrou nos seus pés pra manter-se são, na linha das responsabilidades que prometeu cumprir. Tão honrado. E eu sou tudo aquilo que você não espera e não alcança: a que voa ao redor, voa longe, voa perto, vai e volta e sorri e chora e se afoga e continua viva. Você é toda doida.
Tempo errado, bad timing, momento terrível. Mas o grande pulo do gato reside que eu posso ir e vir. Todo dia preparada pra te desamarrar e ver você voando comigo, leão e cavalo correndo lado a lado. Sendo meio gente e meio selvageria. Olhando com os olhos bem abertos no seus, de joelhos como uma bênção e um pecado ao mesmo tempo. Sorrindo ao me meter nas covas rasas. Me perdendo por tudo o que você é, de bom e de ruim. Não me importo em pensar assim. Mas me dói um pouquinho.
Mas os seus olhos...
Peço perdão por todas as invasões cometidas até agora. Sempre foi falta de respeito e responsabilidade, mas sabemos que se eu possuísse o freio, cordas e amarras que você possui, eu nunca veria os olhos pegando fogo e a cova rasa (onde eu poderia ser enterrada viva) que aparece ao lado da sua boca quando ri. E isso é importante: eu quero. Peço perdão dessa vez pela ousadia, porque sinto muito que eu invada, mas invado mesmo assim. Talvez eu continue só pra ver onde esse caminho vai me levar. Admitamos que é um caminho solitário, unilateral, quase uma tortura. Você amarrado e eu rindo ao seu redor. Você ri de mim e morre um pouco.
Isso é o que me dói. Não posso ser seu motivo de felicidade. Você precisa das amarras, você precisa desse peso que amarrou nos seus pés pra manter-se são, na linha das responsabilidades que prometeu cumprir. Tão honrado. E eu sou tudo aquilo que você não espera e não alcança: a que voa ao redor, voa longe, voa perto, vai e volta e sorri e chora e se afoga e continua viva. Você é toda doida.
Tempo errado, bad timing, momento terrível. Mas o grande pulo do gato reside que eu posso ir e vir. Todo dia preparada pra te desamarrar e ver você voando comigo, leão e cavalo correndo lado a lado. Sendo meio gente e meio selvageria. Olhando com os olhos bem abertos no seus, de joelhos como uma bênção e um pecado ao mesmo tempo. Sorrindo ao me meter nas covas rasas. Me perdendo por tudo o que você é, de bom e de ruim. Não me importo em pensar assim. Mas me dói um pouquinho.
Alguns dias são mais difíceis que os outros.
Seu sorriso é uma faca. Toda vez que o vejo, é afogar em saudade.
Hoje particularmente senti falta da sua voz. Domingo é foda. Tem uns três anos que passo domingo agarrada em você, tentando ver as coisas de um jeito diferente e mais positivo, mas nesse mês tá assim. Som de vazio. Ecoa só tristeza em mim.
A pior tristeza é a de saber que poderia ser pior se eu não tivesse feito nada. Ficado por que era mais fácil, mais cômodo, uma tristeza mais mansa do que a que tô sentindo agora.
Mas sei também que se fosse pra continuar, a tristeza mansa ia se tornar em algum sentimento desses ruins que perdem o controle depois de um tempo. Vira falta de respeito, falta de vontade, um monte de falta até que não sobra nada.
Então: hoje foi um dia mais difícil que os outros, mas é melhor que seja assim não-te-ter hoje do que não-te-ter pra sempre. Apesar de parecer, não tô muito segura nas minhas decisões não. Mas se eu as tomei, então é melhor me manter firme e fiel a mim mesma. Por um tempo vai ser assim mesmo: sucessão de dias péssimos, uns domingos piores que os outros, mas depois passa. É se perder pra se encontrar. É o melhor que eu posso fazer.
Seu sorriso é uma faca. Toda vez que o vejo, é afogar em saudade.
Hoje particularmente senti falta da sua voz. Domingo é foda. Tem uns três anos que passo domingo agarrada em você, tentando ver as coisas de um jeito diferente e mais positivo, mas nesse mês tá assim. Som de vazio. Ecoa só tristeza em mim.
A pior tristeza é a de saber que poderia ser pior se eu não tivesse feito nada. Ficado por que era mais fácil, mais cômodo, uma tristeza mais mansa do que a que tô sentindo agora.
Mas sei também que se fosse pra continuar, a tristeza mansa ia se tornar em algum sentimento desses ruins que perdem o controle depois de um tempo. Vira falta de respeito, falta de vontade, um monte de falta até que não sobra nada.
Então: hoje foi um dia mais difícil que os outros, mas é melhor que seja assim não-te-ter hoje do que não-te-ter pra sempre. Apesar de parecer, não tô muito segura nas minhas decisões não. Mas se eu as tomei, então é melhor me manter firme e fiel a mim mesma. Por um tempo vai ser assim mesmo: sucessão de dias péssimos, uns domingos piores que os outros, mas depois passa. É se perder pra se encontrar. É o melhor que eu posso fazer.
Olá, Francesa.
Já tô sabendo sim.
Tô esperando dar um tempo pra eu correr e te ligar pra saber se tá tudo bem ou se foi tarde demais pra tomar essa atitude. Um ano que eu não te vejo, não te ouço.
Será que eu ainda sei quem é você? Se eu me esbarrar na rua, olharei na tua cara e verei o que?
É um tormento essa possibilidade, de não te saber mais. Parte de mim esquecida e largada pelo mundo. E não é assim também todos os nossos laços que são feitos e desfeitos dia após dia? Pedaços seus?
Não que eu queira te dizer: você foi só mas um laço que se desfez.
Quer dizer, querer eu quero, mas não dá. Por você eu sei que daria sim e eu soube porque você já me falou milhões de vezes e me substituiu milhões de vezes também. Eu acho. Porque também já vi uma pequena confissão sua sobre lembrar o que não queria e ficar triste, né.
A gente se expõe demais todo dia.
Aí acontece o que aconteceu e ficamos todas nós nesse receio infantil de se comunicar, de se ver, de não se reconhecer, de achar que tudo é perda de nós mesmos pelo mundo, de se machucar e se chatear pensando no que poderia acontecer se eu corresse e te ligasse pra saber se tá tudo bem agora ou se no próximo instante vai ser tarde demais.
Não importa, talvez, porque já ouvi você me falando "ainda bem que você sabe".
E porque eu já ouvi tanto conselho de "não faça nada porque ela cagou na sua cabeça".
Mas é tanto amor miserável que sobrou em mim. Tanta vontade de abraço, de cheiro, de riso seu, só seu, coisa que ninguém vai entender porque ninguém sabe o que é ser você e eu juntas.
Porque éramos você e eu.
E agora sou eu contra você e todo o resto. Eu e toda minha miserável vontade de querer que ainda exista essa relação numa corda bamba desfiada, mas que no último momento dá pra reconstruir tudo e rebobinar todas as falas e chorar tudo que foi chorado de novo, mas de felicidade.
É tão confuso, né.
Sempre foi, né?
Desculpa.
Tô esperando dar um tempo pra eu correr e te ligar pra saber se tá tudo bem ou se foi tarde demais pra tomar essa atitude. Um ano que eu não te vejo, não te ouço.
Será que eu ainda sei quem é você? Se eu me esbarrar na rua, olharei na tua cara e verei o que?
É um tormento essa possibilidade, de não te saber mais. Parte de mim esquecida e largada pelo mundo. E não é assim também todos os nossos laços que são feitos e desfeitos dia após dia? Pedaços seus?
Não que eu queira te dizer: você foi só mas um laço que se desfez.
Quer dizer, querer eu quero, mas não dá. Por você eu sei que daria sim e eu soube porque você já me falou milhões de vezes e me substituiu milhões de vezes também. Eu acho. Porque também já vi uma pequena confissão sua sobre lembrar o que não queria e ficar triste, né.
A gente se expõe demais todo dia.
Aí acontece o que aconteceu e ficamos todas nós nesse receio infantil de se comunicar, de se ver, de não se reconhecer, de achar que tudo é perda de nós mesmos pelo mundo, de se machucar e se chatear pensando no que poderia acontecer se eu corresse e te ligasse pra saber se tá tudo bem agora ou se no próximo instante vai ser tarde demais.
Não importa, talvez, porque já ouvi você me falando "ainda bem que você sabe".
E porque eu já ouvi tanto conselho de "não faça nada porque ela cagou na sua cabeça".
Mas é tanto amor miserável que sobrou em mim. Tanta vontade de abraço, de cheiro, de riso seu, só seu, coisa que ninguém vai entender porque ninguém sabe o que é ser você e eu juntas.
Porque éramos você e eu.
E agora sou eu contra você e todo o resto. Eu e toda minha miserável vontade de querer que ainda exista essa relação numa corda bamba desfiada, mas que no último momento dá pra reconstruir tudo e rebobinar todas as falas e chorar tudo que foi chorado de novo, mas de felicidade.
É tão confuso, né.
Sempre foi, né?
Desculpa.
Vou logo falando que sim, eu te amo menos.
Te amo muito menos agora que você escorregou pra fora da cúpula porque quis.
Poderia ter tomado um monte de decisão ruim, mas com certeza essa foi a pior de todas. Aí escorregou. E agora eu amo menos.
O complicado é que eu já me perdi tanto de amor por você que amar menos quase não significa tanta coisa. Você nem vai sentir os efeitos colaterais da pressão sobre mim mesma. A diminuição do volume. Nem sente agora, eu garanto.
Garanto porque vejo os mesmos olhos de poço do nosso primeiro mês. Vejo toda a ilha que via dentro de você no nosso segundo mês. Vejo toda sua confusão do nosso primeiro ano, intacta.
Há coisas novas, claro. Mas foi você quem pôs lá. Eu não tenho culpa.
(tipo aquela sua insegurança agora muito mais densa.)
Você que colocou agora esse treco em mim. Esse sentimento ruim de cúpula vazia, de coração mareado, ossos fracos e tristeza mais infinita do que poderia existir (e eu nem sabia!). Tá tá, eu te amo menos, mas te tomei as mãos e agarrei minha decisão que era ficar. E tô lidando. Pouco a pouco, dia a dia. Muito mais difícil do que imaginava.
Esse enjoo que sinto quando escuto o outro nome. Físico. Não é nojo. É uma coisa palpável, um estômago se revirando, a tristeza mais infinita borbulhando. Aí segue: porra, seria muito melhor ir embora. Falar que não dá, não dá pra tentar, porra. Olha esse enjoo, olha como sou patética aqui tentando por quem saiu da cúpula. Ou caiu. Tanto faz. Eu segurei.
Segue: Não dá pra ir embora.
Porque apesar dos pesares, do fardo esmagador, da raiva de mim mesma, da compreensão inacreditavelmente burra, do depósito de confiança absurdo, da insanidade mais imbecil que já fiz nos pouquinhos anos que tenho, eu te amo. Menos.
Quantitativamente falando, uma terra pra todo o sistema solar.
Te amo menos uma terra.
Te amo todo o sistema solar.
Então corre e me recupera que ainda dá tempo.
Te amo muito menos agora que você escorregou pra fora da cúpula porque quis.
Poderia ter tomado um monte de decisão ruim, mas com certeza essa foi a pior de todas. Aí escorregou. E agora eu amo menos.
O complicado é que eu já me perdi tanto de amor por você que amar menos quase não significa tanta coisa. Você nem vai sentir os efeitos colaterais da pressão sobre mim mesma. A diminuição do volume. Nem sente agora, eu garanto.
Garanto porque vejo os mesmos olhos de poço do nosso primeiro mês. Vejo toda a ilha que via dentro de você no nosso segundo mês. Vejo toda sua confusão do nosso primeiro ano, intacta.
Há coisas novas, claro. Mas foi você quem pôs lá. Eu não tenho culpa.
(tipo aquela sua insegurança agora muito mais densa.)
Você que colocou agora esse treco em mim. Esse sentimento ruim de cúpula vazia, de coração mareado, ossos fracos e tristeza mais infinita do que poderia existir (e eu nem sabia!). Tá tá, eu te amo menos, mas te tomei as mãos e agarrei minha decisão que era ficar. E tô lidando. Pouco a pouco, dia a dia. Muito mais difícil do que imaginava.
Esse enjoo que sinto quando escuto o outro nome. Físico. Não é nojo. É uma coisa palpável, um estômago se revirando, a tristeza mais infinita borbulhando. Aí segue: porra, seria muito melhor ir embora. Falar que não dá, não dá pra tentar, porra. Olha esse enjoo, olha como sou patética aqui tentando por quem saiu da cúpula. Ou caiu. Tanto faz. Eu segurei.
Segue: Não dá pra ir embora.
Porque apesar dos pesares, do fardo esmagador, da raiva de mim mesma, da compreensão inacreditavelmente burra, do depósito de confiança absurdo, da insanidade mais imbecil que já fiz nos pouquinhos anos que tenho, eu te amo. Menos.
Quantitativamente falando, uma terra pra todo o sistema solar.
Te amo menos uma terra.
Te amo todo o sistema solar.
Então corre e me recupera que ainda dá tempo.
Assinar:
Postagens (Atom)
Como uma tecnologia muito avançada, eu silenciei. Esqueci que para ter novas palavras preciso gastar todas as antigas, ou paro. Preciso ler ...
-
Ver você é como escutar moonlight sonata. Não consigo me cansar. Poderia viver num looping infinito de reprodução, de moolight e com você. ...
-
Na foto eu tô sorrindo! Aproveitei bem rápido para que o canto da boca não escorregasse. Momento raro, câmera poderosa e lá estava eu, aprov...
-
Eu já sabia como você falava, como se comportava. Você já me conhecia, e sabia o jeito de me confortar. Apesar de ir e não voltar, eu nunca ...