O passado era doce.



            "Você pode destruir as evidências, mas não pode destruir as memórias."

Eu procurava paz no que restava de nós dois: as fotos, as cartas. Mesmo que essa paz fosse temporária. Sentia o gosto das nossas promessas, como se estivesse de volta ao momento, vendo todos aqueles erros cometidos sendo cobertos de amor.  E quando as mensagens eram decoradas e as imagens começavam a se repetir como um show de slides na minha frente, com os meus olhos fechados, eu me sentia antiga. Como se tudo aquilo tivesse acontecido a muito tempo atrás, como se fosse um romance do século XIX. E a protagonista desse amor de perdição, onde tudo era tão proibido quanto fora para Camilo Castelo Branco, era eu. Eu acabei morta por dentro, enquanto você afundava no mar do meu esquecimento.

Mas quem não quer?

Eu queria ouvir suas dores,
compartilhar seus amores,
saber de você.
Eu queria ouvir seu sorriso,
sentir seu destino
se cruzando com o meu.
Eu queria dividir a conta,
dividir a cama,
dividir o coração e colar no seu.
"Aonde está você? Me telefona. Me chama."

um texto pequeno como a minha felicidade.

Eu queria te falar o que você não conseguer ler
nos meus olhos.
Eu queria acabar com a distância dos nossos pensamentos
com os nossos lábios.
Mas você sumiu antes do dia clarear,
você evaporou de mim como mágica.
Me deixou escrevendo textos pequenos,
como minha felcidade pequena,
para sua longa ausência.
Eu não consigo seguir os seus passos largos,
Eu já não enxergo mais o seu rastro.
Mas que bom que seria se você voltasse.
Mando minha tristeza ir no meu lugar, procurar o seu regresso,
porque eu já não consigo mais sobreviver.
-"Mas que bom seria se você voltasse..."


Significado de Sobreviver
v.i. Continuar a viver depois de outro; continuar existindo depois de grave perda.
Resistir, enfrentar, atravessar, escapar: sobreviveu a todas as crises.

Há algo na maneira como ele canta.

Te vi de longe.
Envolvido nos braços de outro alguém,
você cantava.
E a sua voz doce, calma, encantadora,
era reproduzida na minha cabeça com clareza,
acompanhada pelos acordes do seu violão,
quebrado num replay, replay, replay...
Você me viu de longe,
Envolvida nos meus próprios braços,
protegida do vazio do ar-condicionado.
E eu só ouvia...
Como uma bela ouvinte de pé-de-ouvido,
mas que não era a sua.
E eu te falo calada, no olhar vazio:
por favor, pare de cantar.
Não cante mais assim,
Não cante para ela ao olhar pra mim.
Que a verdade seja dita, mas em alto e bom tom:
Eu me apaixonei por você,
Mas eu não quero assim, porque eu sei que
nessa história existem três.




"Algo na maneira em que ele se move me atrai como nenhum outro amor. Alguma coisa em seu jeito me agrada. Alguma coisa em seu jeito, ele sabe. E tudo que tenho de fazer é pensar nele... Eu não quero deixa-lo agora." (Beatles)

Restou um pedaço de você, em mim.

Eu esperei por duas semanas,
que acabaram se tornando três.
Eu me conformei de que sua volta nunca aconteceria para mim.
A quarta semana veio inundada de lágrimas,
E a quinta, seca de mágoas.
A sexta semana, com os suspiros longos e profundos...
E então, você se perdeu como lembrança antiga,
Te coloquei de lado, com as velharias.
Ainda visitava os meus sonhos,
me fazendo querer não sonhar nunca mais.
Vez ou outra, o vento soprava seu nome,
Sua imagem surgia forte e brilhante...
E a dor e o desejo manchavam meus lençóis.
Não era possível que, depois de tanta ausência,
Eu ainda fosse castigada pela mera presença
de uma lembrança tão (in)desejada.



"Eu chorei e eu chorei, e houve noites que eu morri por você. Eu tentei e tentei negar que seu amor me deixou louco! Se o amor que eu tinha por você se acabou, se o rio que eu chorei não foi suficiente... Então eu errei, isso não é um poema de amor."

Como uma tecnologia muito avançada, eu silenciei. Esqueci que para ter novas palavras preciso gastar todas as antigas, ou paro. Preciso ler ...